7 incríveis fatos sobre o Coliseu Romano que você precisa conhecer.

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O Coliseu Romano, era na antiguidade, uma das maiores obras de engenharia. Triunfo da excepcional capacidade inventiva e arquitetônica dos romanos. Podia ser visto a centenas de quilômetros e se erguia como um verdadeiro colosso, chamando atenção para o poderio da cidade de Roma. E para os condenados, que ali chegavam simbolizava o começo do fim.

Localizado próximo ao Fórum Romano, o Coliseu é na realidade um gigantesco anfiteatro, comissionado pelo imperador Vespasiano por volta do ano 70 DC, que pertencia à dinastia Flávia. A poderosa e megalítica estrutura foi criada como um presente ao povo romano, que em épocas passadas haviam sofrido perdas e reveses indescritíveis nas mãos de Nero. Daí o fato do Coliseu ser chamado oficialmente de Anfiteatro Flávio. Sua construção foi impressionante e originou métodos novos e cálculos matemáticos extremamente avançados até para a época, bem como estudos de solo que ainda hoje impressionam pela acurácia. Foi inaugurado cerca de 9 anos depois, com os famosos 100 dias de jogos, que envolviam combates entre gladiadores e feras selvagens.

Caiu em desuso naturalmente após 4 séculos. A magnífica arena resistiu a inúmeros terremotos ao longo das eras, mas parte de sua estrutura foi perdida, assim como parte dos seus materiais, inclusive o maravilhoso mármore travertino, foi usado como fonte para outras obras consideradas mais importantes.

Alguns fatos históricos chamam muita atenção na vida deste gigantesco ícone da Roma Antiga:

 

7 incríveis fatos sobre o Coliseu Romano

“Enquanto o Coliseu se mantiver de pé, Roma permanecerá. Quando o Coliseu ruir, Roma ruirá. E quando Roma ruir, todo o mundo ruirá!” – Bede, o venerável.

 

1. O local onde hoje se encontra o Coliseu, era um vale e originalmente ficava a cerca de 15 metros abaixo do nível atual.

O sítio original onde o Coliseu foi criado, chamado vale do Coliseu, era na realidade uma região completamente inóspita, cercada por morros dentre eles o Palatino, o Celio, o Velia, que desapareceu e outros. Nos tempos anteriores à sua construção, o nível do chão se encontrava a impressionantes 15 metros abaixo. Chuva e água enchiam estas depressões e formavam neste vale, dependendo da estação do ano, um grande lago ou um pântano completamente inabitável. Estas águas por épocas inundavam tudo ao redor e se espalhavam pela cidade. Seu volume imenso era drenado naturalmente para o rio Tibre.

Tempos mais tarde, a área ganhou popularidade. Mais uma vez o espírito empreendedor romano veio à tona. Drenagens foram realizada e a construção de gigantescas residências foi iniciada. Por volta de 64 DC, com o impiedoso incêndio que tomou conta de Roma, o imperador Nero, usou esta área para uma de suas mais extravagantes obras, a criação da Domus Aurea, aquela que seria sua residência, seu palácio. Muitos cidadãos romanos, pobres, ricos, senadores e influentes foram impiedosamente desapropriados para a construção. Conta-se que a Domus Aurea continha tantos prédios e construções, que nem Nero conseguiu em vida conhecê-los todos.

A extravagante Domus Aurea
A extravagante Domus Aurea
Fonte: http://www.the-colosseum.net

Na depressão do vale, onde se formava o lago com as chuvas, Nero fez construir um lago artificial, extravagante e ornado com um pórtico e colunas. O antigo lago se tornou um gigantesco parque particular, cercado de mansões luxuosas, animais, fontes belíssimas e extravagâncias de toda sorte.

Com a morte de Nero, Roma entrou em colapso político, fome e revolta. Algo precisava ser feito. Vespasiano, num ato de coragem e manobra política impressionante, ganhou a simpatia dos romanos devolvendo à cidade a área que a ela pertencera outrora. Desta forma por cima do suntuoso palácio de Nero, iniciou a construção do Anfiteatro que levaria o nome de sua dinastia – Anfiteatro Flávio. É importante saber, que a obra-prima que é o Coliseu, não existiria caso algum visionário romano não houvesse visto um futuro naquela região tão infeliz e inóspita que era o vale do coliseu.

 

2. O nome Coliseu tem relação com o Imperador Nero.

 

 Lawrence Alma-Tadema (1877).
Esculpindo o Colosso de Nero.
Lawrence Alma-Tadema (1877).
http://clicks.robertgenn.com/off-game.php

Segundo as fontes da época, no monte Velia, hoje inexistente, que ficava entre o monte Esquilino e o monte Palatino, numa área ocupada pelo templo de Vênus e Roma ficava o suntuoso vestíbulo para a entrada do palácio de Nero.  Nesta entrada de seu suntuoso complexo, ou vestíbulo, Nero erigiu uma gigantesca estátua  de si próprio de bronze, que era metal importantíssimo na época, de cerca de 37 metros de altura, o famoso Colosso de Nero – Colossus Neronis. Nome que originaria futuramente o nome Coliseu. Uma ironia política, uma vez que o Coliseu haveria de ser criado para que se esquecesse a memória do tirano Nero. E esta estátua, segundo fontes históricas dão a entender, permaneceu nas proximidades do Coliseu por muito tempo, tendo seu rosto alterado diversas vezes para homenagear outros nomes além do tirano Nero.

A gigantesca monstruosidade foi criada nos moldes do famoso Colosso de Rhodes.

3. Foi necessária a criação de uma via especial para sua construção.

 

O Coliseu e seu interior.
O Coliseu e seu interior.

Os números da espetacular obra de engenharia conhecida como Colloseo falam por si só. O Anfiteatro tem nada menos que 188 metros em seu maior eixo por 155 metros em seu menor. As paredes do anel externo se erguem a mais  de 52 metros acima do solo. Mais de 100.000 metros cúbicos de mármore travertino foram utilizados na sua construção, sendo 45000 apenas na área externa.

Contam dados antigos que a quantidade de trabalhadores era tão grande que não era possível que ficassem todos dentro do espaço de construção ao mesmo tempo. Tal fato obrigou a criação de uma estrada gigantesca com cerca de 6 metros de largura e mais de 20 quilômetros, para permitir que todos se locomovessem e os materiais fossem trazidos ao local de construção. Os blocos de mármore ficavam presos um a um por presilhas de ferro e se estima que foram usados mais de 300 toneladas de ferro.

Você pode saber mais sobre o Coliseu em um roteiro por Roma de 4 dias aqui neste post.

4. A aparência final do Coliseu Romano, é pouco lembrada hoje em dia.

Quando se pensa em Coliseu, a lembrança é das ruínas de uma icônica obra de arquitetura, em meio a uma praça por onde circulam milhões de turistas diariamente, como a mostrada abaixo. Porém, deve-se lembrar que o Coliseu foi construído no mais fino material da época, o mesmo que foi usado em inúmeras estátuas famosas pela cidade de Roma, e anos mais tarde, utilizado em outras edificações como igrejas e Basílicas, que foi o mármore travertino. Desta forma, deve-se ter em mente que além de ser uma obra de grande porte, o Anfiteatro Flávio era igualmente uma obra de enorme e grandiosa beleza.

 

Coliseu Hoje Roma - Itália
Coliseu Hoje
Roma – Itália Crédito: R.A. Stacciolli – Inside Imperial Rome

Esta é a imagem icônica em nossa mente. Uma poderosa obra de engenharia e deleite para turistas do mundo inteiro.

 

O Coliseu na antiguidade. Roma - Itália
O Coliseu na antiguidade.
Roma – Itália Crédito: R.A. Stacciolli – Inside Imperial Rome

Esta é a visão que se tinha do magnífico Coliseu à época de sua construção e de seu apogeu. As duas imagens se sobrepõem, nos dando uma ideia da grandiosidade da construção. Dados técnicos da época mostram que o Coliseu permitia a entrada fácil de mais de 50 mil espectadores, divididos por áreas específicas, conforme seu bilhete de entrada, por suas mais de 80 entradas em forma de arco. Obra nenhuma na atualidade é capaz de igualar tal feito. Os corredores foram projetados para que a multidão se locomovesse de forma rápida e disciplinada.

5. Na Roma moderna, um dos montes que formam a cidade foi completamente destruído em favor do Coliseu.

 

A destruição da região do Monte Velia para a construção da via dei Imperio, por Mussolini. Fonte: http://www.the-colosseum.net/architecture/velia.htm

Roma é classicamente descrita como a cidade dos sete morros. Na antiguidade, ela foi erigida por sobre morros de diferentes tamanhos, cujos nomes ainda perduram até hoje. Um dos primeiros documentos que lista estes montes, data da época de Constantino, que cita os seguintes nomes: Celio, Aventino, Palatino, Capitolio, Esquilino, Quirinale e Viminale. Em escritos anteriores, uma região, conhecida como Velia ou monte Velio, que é um prolongamento do Palatino em direção ao monte Esquilino é também reconhecida.

É difícil acreditar, entretanto, que com o decorrer das eras um destes montes foi literalmente destruído para dar origem a uma imensa avenida, que passou a cortar um dos maiores tesouros da humanidade, o Fórum Imperial Romano em direção ao Coliseu.

Isto aconteceu por volta de 1930, por ordem de Benito Mussolini. O monte Velio sempre foi, na Roma antiga aquele que dava um aspecto de Sagrado ao local. Em sua região foram erigidos templos importantes e relacionados com as vitórias do povo romano, como por exemplo o templo de Júpiter. Ele foi literalmente riscado de sua existência, tendo sido aplanado até seu completo desaparecimento, de forma que hoje mal se tem lembrança de que houvera um morro ali.

Tal fato não é novo na história Romana. Para a construção do Mercado de Trajano, Apolodoro de Damasco, o inigualável arquiteto que acompanhava Trajano em suas campanhas, escavou e destruiu parte do monte Quirinale, fazendo sua obra gigantesca dentro das região escavada do monte.

A foto acima, reflete o início da obra pelos anos 30, demonstrando parte do morro já sendo destruída. Na foto abaixo, a construção final com as tropas de Mussolini andando por ela com o Coliseu ao fundo.

Parada fascista nos anos 30 na Via dei Fori Imperiali.
Parada fascista nos anos 30 na Via dei Fori Imperiali. Fonte: Wikipedia

 

Via dei Foro Imperiali
Fotos da construção da via dei foro Imperiali.
Fonte: http://www.mmdtkw.org/RenRom0112-ColnacceViaForiImperiali-c.jpg

6. Os Romanos criaram uma forma extremamente engenhosa de reduzir o calor e a chuva dentro do anfiteatro.

 

 

O sistema de velas – Velarium do Coliseu.

A temperatura dentro do anfiteatro poderia chegar a extremos nos meses quentes do ano, de forma que o risco de morte ou asfixia ou mesmo hipertermia poderia ser muito acentuado. Durante as épocas chuvosas o espetáculo não poderia continuar. Desta forma alguma medida deveria ser tomada para proteger os espectadores e para que o Coliseu não parasse.

Foi criado o engenhoso Velarium, que como o próprio nome sugere, vem de velas de navio. Um destacamento de navegadores foi trazido do Golfo de Napoles para operar o imenso mecanismo que fechava o Coliseu, deixando-o completamente coberto. Um sistema de polias era o responsável pela engenhosa estrutura que direcionava o vento para as pessoas que ali estavam, amenizando o calor. Na foto acima pode-se ver o Velarium fechado. na foto do item 4, também pode-se ter uma ideia do Velarium.

7. Durante muito tempo, o Coliseu foi envolto em mitos e não se sabia para que ele servia.

 

Uma panorâmica do coliseu romano.
Uma panorâmica do coliseu romano.

Na idade Média, mais precisamente por volta do século VII, as fontes históricas começaram a associar o termo Colysaeus ao Anfiteatro Flavio. Tal fato pode parecer estranho, uma vez que o coliseu hoje é mundialmente famoso e séculos e séculos de história já foram contadas e recontadas. Outrora, nos primórdios da Idade Média, o acesso à informação era muito seletivo e sua divulgação sofria censuras e distorções impressionantes.

Por estas épocas se começou  a falar o nome Coliseu, em referência ao Colossus Neronis, a qual permanecia nas proximidades. Isto passa a ideia de que a função primordial do monumental anfiteatro há muito havia sido perdida e havia sido substituída por uma aura de mistério e lendas. Os cidadãos pareciam haver esquecido para que aquela monumental obra fora construída.  Algumas fontes medievais, falam dele como o Templo do Sol, um lugar de adoração. Outros, como por exemplo o historiador cristão Tertuliano, descreve o lugar com grande indignação e pavor, citando-o como um templo dedicado à adoração de todos os demônios. É interessante perceber como a memoria transforma os fatos ao longo das eras.

Só muitos anos mais tarde, com os estudos dos primeiros humanistas como Poggio Bracciolini é que o Coliseu foi novamente associado ao Anfiteatro Flavio relacionado às fontes antigas.

Interessante notar ainda é o fato de que após a mudança da liderança papal para o Vaticano, o Coliseu passou paradoxalmente a ocupar mais espaço na mente da população, por ser uma obra gigantesca e afastada do centro da cidade e carregada de fatos históricos importantes. Se tornou tão importante e tão venerada que se tornou o símbolo da urbs Aeterna, o que mais uma vez distorceu seu significado, chegando a ser proclamado como o símbolo do TRIUNFO DO CRISTIANISMO sobre seus perseguidores. De fato, com o passar dos séculos o monumento ganhou cada vez mais associações com o cristianismo e com os martírios dos primeiros cristãos, que haviam sido enviados para a morte em sua arena. Esta ideia foi tornada oficial através de um decreto papa datado de 1675. Em 1720, uma das estações da Via Crucis foi estabelecida no Coliseu.

A famosa frase citada no início deste nosso artigo, retrata o espírito desta época e demonstra a veneração que se tinha ao Coliseu como elemento de vitória e triunfo.

Em posts posteriores traremos mais fatos curiosos do Coliseu, com relação aos jogos ali realizados e com relação ao Cristianismo e seus mártires no Coliseu.

Até a próxima!

 

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About Giovani da Costa

Giovani é médico. Junto com sua esposa criaram o blog Viagem e Arquitetura( viagemearquitetura.com.br) com uma proposta diferente do que há no mercado de blog de viagens. Trazer informações sobre Arquitetura e História relacionada aos destinos. Você pode encontrá-lo no Google+, Twitter e Facebook.

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6 comments

  1. Apesar de já ter passado um bom tempo, gostei muito do artigo.
    Achei muito interessante.
    Vou ver o que há mais por aqui 🙂

  2. Olá, concordo, é difícil acreditar no desmanche dos monumentos, tanto naturais quanto artificiais, pois segundo o arquiteto Aldo Rossi, a “arquitectura é um artefacto humano”. Veja só, no Rio de Janeiro, onde fica a Esplanada do Castelo (centro), havia o morro de mesmo nome, totalmente derrubado nos anos 1920, sob a alegação de arrefecer o calor da região central com a brisa da baía. Na verdade foi uma exigência do poder financeiro, no caso a especulação imobiliária, que, em seguida, interceptou a “brisa” com a verticalização total da área. Sobre o morro, aonde a cidade carioca foi iniciada, ficavam, entre outras preciosidades, a primeira igreja jesuítica e o planetário construído por D. Pedro II.
    Já na década de 1940, por ordem do ditador Vargas, cujo regime, o Estado Novo, flertava com o fascismo, foi demolida a Igreja de São Pedro dos Clérigos, uma jóia barroca de planta central, raridade no Brasil, para construir a Av. Brasil, com o intuito de ter um local (uma via monumental) para “imitar” os desfiles triunfais.

    • Veja você meu amigo Tadeu. Os ditadores se repetem ao longo da história e as ideias parecem se repetir também, não é mesmo! Uma pena, pois joias da arquitetura mundial sofreram muito com os desmandos de tais pessoas!
      Abaixo a Catedral de São Pedro dos Clérigos que vc comentou. – Tirada em 22/05/1942 (Correio da Manhã) – Uma pena mesmo!
      Obrigado pelo comentário! Volte sempre!

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