Fotografando em Viagens – Composição Fotográfica 1ª Parte

Libélula

Qual o seu propósito ao tirar uma fotografia? Em geral nós fazemos registros fotográficos para dividir experiências, contar histórias, mostrar aos outros o que só nós vimos, registrar aquela emoção que nos contagiou, mostrar a beleza daquele pôr-do-sol, daquele luar, etc… A fotografia na verdade nos revela aquilo que não pode ser contado através das palavras. Mas quase sempre nossos resultados não traduzem aquilo que vimos, aquela emoção que nos levou a fotografar. Assim como diz Alphonsus de Guimarães, “Luares, pores-do-sol, cousas que morrem breve” (Alphonsus de Guimaraens, Obra Completa, p. 99).  Assim são as emoções que capturamos em nossas imagens, efêmeras, passageiras. Nosso post anterior – Fotografando em viagens – Introdução –  nos deu algumas ideias da razão pela qual nossas fotos deixam de traduzir aquilo que vimos. Nesta continuação, vamos expandir as noções anteriores e levar nossa capacidade de tirar fotos a um nível mais elevado através das regras da Composição fotográfica.

Fotografando em Viagens – Composição Fotográfica

 

World - Frame - Elements - Subject
World – Frame – Elements – Subject O Clássico Paraíba Palace Hotel. Foto: Giovani Costa João Pessoa – Paraíba

 

Por definição, a Composição Fotográfica é a utilização de todas as partes para a formação de um todo harmonioso. Em outras palavras, se utilizar daquilo que se está vendo, separar o que é irrelevante para a imagem e compô-la com os elementos relevantes de forma a termos uma imagem fotográfica que se aproxime daquilo que capturou nossa emoção.

Aprender Composição é como aprender uma nova língua, um novo idioma. No início ficamos confusos com tantas regras e tantas observações, mas aos poucos os conceitos não mais precisam ser lembrados por que eles farão parte do nosso cotidiano. As regras de composição apresentadas aqui e nos próximos posts, devem ser praticadas em todas as oportunidades possíveis.

Antes de iniciarmos nossa jornada precisamos entender 3 definições que são utilizadas como guias básicos de composição:

  1. WORLD ou CENA -É tudo aquilo que está ao alcance de sua visão. Tudo é passível de ser fotografado. Na foto acima, tudo que está ao alcance do seu olhar é chamado de Cena ou World. Nem tudo aquilo será usado para uma boa foto. perceba que o olhar se distrai quando percorre a imagem. Há muitos elementos conflitantes que não deixam a imagem ser uma grande imagem.
  2. FRAME – É o espaço retangular, delimitado pelo seu visor no qual se delineia a CENA que você está fotografando. Nem sempre se pode manipular uma cena, mas você PODE CONTROLAR OS ELEMENTOS QUE ALÍ ESTARÃO PRESENTES. É importante acrescentar o conceito de CENA dentro de FRAME, onde world é tudo que seus olhos veem e neste ponto todos os pontos estão confluentes: idéias. Sentimentos. Sensações. Etc… Nem tudo dentro do WORLD entrará no FRAME. O retângulo que se vê na fotografia delimita o que a câmera pode “enxergar”. É dentro deste espaço pequeno que nossa visão irá trabalhar. Perceba que nem tudo da cena irá entrar aqui. Cabe a nós inserirmos ELEMENTOS da cena que valorizem o que estamos vendo.
  3. ELEMENTOS – É tudo o que está presente em seu visor, incluindo o seu assunto ou centro de interesse. Podemos definir como elementos composicionais todos os elementos menos o ponto ou centro de interesse. Podemos classificar em:Primários e Secundários. Dentro do quadrado da foto, perceba que há linhas diagonais forçando a visão em direção ao ponto infinito que termina no centro do Paraíba Palace com seu letreiro bem posicionado no FRAME. Linhas diagonais são alguns ELEMENTOS que podem ser aplicados às suas fotos para dar a elas um toque profissional.
  4. SUBJECT ou ASSUNTO – É aquilo que dá propósito à foto. É aquilo que se deseja mostrar. O assunto é o motivo pelo qual a foto foi tirada. A imagem conta uma história sobre este assunto, mostra uma cena. Afinal de contas, por que você tirou a foto? A resposta para esta pergunta se encontra no SUBJECT ou motivo da foto, ou em linguagem fotográfica, o centro de interesse da imagem fotográfica. Neste caso, o motociclista estava no ponto certo na hora certa, dando à imagem uma ideia de isolamento, distância. A colocação do Sujeito dentro do Frame também será discutida a seguir. Observe que o homem não foi posicionado no centro da fotografia e sim numa posição atraente ao olhar através da chamada regra dos terços.

Este seria o resultado final da imagem após nossa análise acima:

 

Paraíba Palace Hotel Foto: Giovani Costa João Pessoa Paraíba
Paraíba Palace Hotel
Foto: Giovani Costa
João Pessoa Paraíba

Neste post estudaremos os mais importantes componentes da Composição Fotográfica, os ELEMENTOS  e O ASSUNTO da imagem.

 

Grandes imagens dificilmente são criadas por acaso.

 

Entardecer em Roma.
Entardecer em Roma.
No post: Conhecendo o melhor de Roma em 4 dias – 3ª Parte.

Para retirar o máximo de sua foto ou de seu sujeito é imperativo entender os elementos básicos da composição, pois ela irá prover um atalho às emoções do seu espectador, irá facilmente chamar a atenção de quem a olhar, irá falar por si própria contando uma história. Aprender composição permitirá a você capturar imagens que sugerirão movimento, terão mais vida, profundidade, forma e acima de tudo recriará aquele impacto que a cena original causou em você. Não perca mais nenhuma foto.

Devemos nos lembrar que não há regras fixas e intransponíveis ou mapas perfeitos que garantirão uma composição ideal em todas as fotos que você fizer. O que existem são princípios e elementos que irão prover meios que nos permitirão alcançar nosso objetivos, uma vez que sejam aplicados corretamente.

 

Assunto

 

Subject
Conhecer o que você vai fotografar é importante e imperativo.

 

É o que dá sentido à foto. Aquilo que se quer mostrar. Também pode ser chamado de ponto de interesse ou centro de interesse. Como esta nomenclatura pode confundir com outros termos posteriores, o termo assunto é preferível.

Uma foto sem assunto, ou sem um interesse principal se perde e se torna desinteressante. É o fato de dizermos, “não foi isto que eu vi na hora”. Por isto é importante ao se escolher o assunto entender as três formas de se capturar uma imagem.

O ato de fotografar começa MUITO antes de se levar a câmera à altura dos olhos. Isto ocorre antes mesmo que o botão do obturador seja acionado. A foto começa no momento em que o fotógrafo contempla uma cena e diz: “Isto daria uma boa foto!”. Neste momento se inicia o processo fotográfico. Neste momento entra em ação as três formas de analisar uma cena:

Projeção:

É a forma mais usada por todos nós. Se observa o assunto e se projeta nele aquilo que se quer mostrar, exemplo: Sua forma, Sua altura, sua aparência de poder, sua tristeza, etc…Aqui o fotógrafo projeta no assunto aquilo que ele quer representar do objeto. No caso da árvore acima, o fotógrafo pode querer capturar uma imagem que demonstre seu tamanho gigantesco, sua força e sua resistência. Pelo fato de ela ser igualmente uma árvore muito antiga, a foto poderá refletir também o passar dos anos.

Introjeção:

Nesta forma se estuda o assunto delicadamente e sem pressa esperando que o assunto revele aquilo que ele deseja que seja mostrado. Esta forma é combinada com o posicionamento da câmera frente a uma assunto. Nunca se deve, a não ser que se esteja completamente certo do que fazer, registrar sua imagem no exato momento em que se vê a cena. Nesta forma o fotógrafo fica frente ao seu assunto e o estuda por diversos ângulos.

Confluência:

Ambos, assunto e fotógrafo, se tornam um único meio e a fotografia se revela meditativa e contemplativa. Um diálogo silencioso se entabula e ambos revelam sua intenção. Uma forma altamente contemplativa, meditativa. Em geral muito usada pelos grandes fotógrafos como Ansell Adams e Cartier Bresson. É pouco comum ver fotógrafos utilizarem este formato hoje em dia. Envolve esperar e esperar até que a luz correta chegue, até que pessoas saiam de cena, até que algo aconteça. É pouco utilizada em fotografia de viagens, mas se usada rende grandes imagens.

 

Foto às pressas!
Fotografia feitas às pressas sempre rende maus resultados.

 

A estas podemos incorporar mais duas abordagens que terão impacto quando se está frente a uma cena que se deseja fotografar:

 

Point and Shoot

Não há qualquer preparação. Em geral traz péssimos resultados, e decepções. É a forma instintiva de DuChemin. Segundo David Präkel, estamos tentando capturar algo que não pode ser traduzido em palavras ou em imagens simples. Nunca se deve fotografar assim.

Impactual

Um impacto emocional poderoso e imediato e por si só MUITO fugaz. Você recebe do assunto uma emoção, uma sensação e deseja tirar dali uma foto. Em geral é a forma mais meditativa, pois se recebe a impressão e não se sabe o que foi. Daí o fato de ser mais meditativa. O fotógrafo necessita parar e identificar o que chamou sua atenção. Foi uma sensação de isolamento? Uma ideia de lembrança? Relembrou sua infância? Uma forma muito complexa e meditativa. Este seria o ponto ou centro de interesse subjetivo. O que ele lhe relembra? Que emoção ele lhe traz? O que ele lhe faz pensar e em quê?

Este Impacto pode inicialmente ser OBJETIVO, uma diagonal, linhas paralelas, uma textura, etc… em seguida ele evolui para a subjetividade absoluta, como um senhora idosa caminhando com uma sacola de compras, sozinha em uma praça entre duas linhas paralelas vistas em diagonal. SUBJETIVA ficou posteriormente. Ou um senhor sentado em um banco de praça. O fotógrafo recebe o impacto da cena e leva a câmera aos olhos. Se fizer point and Shoot terá nada mais que alguém sentado em um banco de praça. Caso contemple a cena tentando passar para a foto o impacto que recebeu, utilizando as formas de abordar o assunto expostas acima, poderá levar sua imagem a outro nível, mesmo tirada às pressas como a foto abaixo.

 

 

Monteiro - Paraíba
Monteiro – Paraíba

 

Elementos

Nos próximos posts entraremos em detalhes em cada um destes elementos e como adequá-los às nossa imagens.

Elementos primários

Tem relação com o preenchimento do FRAME, preenchendo o espaço da foto.

  • Centro de Interesse
  • Posicionamento do Assunto
  • Simplicidade
  • Ponto de Vista e ângulo de Câmera

 

Elementos Acessórios

Tem relação com a missão de estruturar a visão e fazer a imagem se tornar agradável, bonita dentro do FRAME. Se dividem em:

Elementos formais.
  • Balanço
  • Formas e Linhas
  • Padrões
  • Volume
  • Iluminação
  • Textura
  • Tom
  • Contraste
Elementos de Espaço.
  • Framing
  • Foreground
  • Background
  • Perspectiva

 

À medida em que se estuda estes princípios você perceberá que todos se entrelaçam.  Percebam que todos ou a maioria destes princípios devem ser considerados e aplicados cada vez que se tira uma foto. Tudo pode parecer um pouco confuso no início. Com a experiência, você pode desenvolver um senso de composição, e sua consideração e aplicação dos princípios se tornará quase uma segunda natureza. Isto não é para sugerir que você pode permitir-se a tornar-se complacente ou negligente na aplicação dos princípios de composição. Se o fizer, será imediatamente óbvio, porque os resultados que produzem será instantâneos, e não fotos profissionais.

 

São Paulo - Brasil
São Paulo – Brasil

 

Até a próxima!

 

About Giovani da Costa

Giovani é médico. Junto com sua esposa criaram o blog Viagem e Arquitetura( viagemearquitetura.com.br) com uma proposta diferente do que há no mercado de blog de viagens. Trazer informações sobre Arquitetura e História relacionada aos destinos. Você pode encontrá-lo no Google+, Twitter e Facebook.

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