Israel – Uma viagem inesquecível

 

Israel - Uma viagem inesquecível.
Vanessa: “Viajar é trocar a roupa da alma!”

Se eu pudesse elencar todas as coisas de que gosto nesta vida, talvez eu me tornasse muito repetitiva e não houvesse espaço suficiente para tanta enumeração. Sou apaixonada pela vida com seus aspectos constantes, rotineiros, salpicada por surpresas, nem sempre bem vindas, mas todas necessárias para nos acordar, para revermos posicionamentos e modos de pensar. Bem, mas vamos ao que mais me interessa neste mundo: viajar.

 

Israel
Israel

Viajar pra mim é descortinar o desconhecido, é tornar tangível o imaginável, é sentir na alma uma leveza e felicidade que nada pode destruir. É me sentir mais próxima do outro, do habitante daqueles lugares que visito, por vezes tão semelhante ao meu e outras, tão diferentes.

Exército de Israel

Cada vez que atravesso as fronteiras do meu território, sinto-me energizada, pronta pra desbravar tudo o que vier pela frente, ansiosa por conhecer, por ver o que antes só existia em minha imaginação; quero dar vida ao que há apenas em minha mente; minha alma ganha novo vestido, sempre muito colorido, como um arco-íris que surge após uma chuva torrencial.

Os preparativos anteriores já são o começo da viagem. Quem gosta de viajar, curte cada momento, desde a escolha do roteiro até o pagamento da passagem.  É, tudo faz parte da festa que é viajar. Pagar pelo que nos dá prazer, não nos aflige, mas, ao contrário, sentimo-nos mais próximos de realizar o que tanto queremos: viajar.

Tela Viv

Viajar para mim é uma necessidade básica, como comer e respirar. Não poderia jamais viver trancafiada nos limites da minha cidade, por isso desde muito cedo, aprendi a empreender viagens sem sair de casa, através dos livros e dos seus inúmeros cenários e personagens, que fomentaram em mim o desejo de poder estar em cada um deles, querendo ver cada recôndito com meus próprios olhos.  Ah, como é maravilhoso poder realizar o sonho de chegar a um lugar que antes somente existia na minha imaginação.

Assim, não foi diferente com a minha viagem à Terra Santa. Porém, neste caso havia uma complicação: nunca me imaginei visitando esses lugares sagrados tão cedo, pensava que somente o faria quando já estivesse em idade bem avançada e mais preparada espiritualmente. A parte geográfica não me atraía, pois não vislumbrava muita beleza natural a justificar esse roteiro. Não tinha imagem mental sobre eles e as poucas descrições que eu tinha não eram muito encantadoras. Além do mais, os conflitos da Faixa de Gaza, entre palestinos e judeus, com a participação de outros países, me afastavam ainda mais dessa ideia.

Israel Mesquita

Contudo, nem sempre somos os agentes da nossa vida e a prova viva disso foi a minha viagem a Israel. Tudo nasceu quando uma amiga, com quem trabalho, começou a falar desse roteiro que faria com seu esposo e mãe sob a orientação espiritual de uma pessoa a quem muito admiro e cujas pregações me fazem sentir mais próxima de Deus. Escutei-a falando, mas não lhe dei muito crédito, pois já tinha a ideia fixa de que não era ainda chegada a minha hora. Preferia adentrar por outras paragens. Mas, não consegui dormir nesse dia, pensando o tempo todo na grande experiência que seria pisar nos locais em que Jesus havia pisado, morado, pregado para milhares de pessoas e convertido outras tantas.

 

O assunto, tal como um disco, ficou repassando em minha mente, reprisando a conversa que havia tido com ela. E meu coração foi aquecendo, aquecendo e o desejo foi-se formando e chegou ao ponto de eu decidir ir, procurar a agência e comprar a minha passagem.  E aí começou a minha viagem: a minha experiência pela Terra Santa. Vou tentar descrever, muito mais do que os lugares, o sentimento que me invadiu a alma quando pisei em solo santo.

Muro

Lembrava-me de várias músicas, ainda no aeroporto de Tel Aviv/Israel e a que mais me tocava era: “Senhor eu sei que é teu este lugar, todos querem te adorar, toma tu a direção…oh, vem, oh Santo Espírito os espaços preencher, reverência à tua voz, vamos fazer….podes reinar, Senhor Jesus…”

 

O aeroporto moderno chamou-me a atenção e a própria cidade de Tel Aviv mostrou-se muito além do que a imagem que eu havia construído. Uma cidade moderna, capital cultural, comercial e industrial de Israel; embora pertença aos israelenses, ainda conserva muito do espírito dos seus antigos donos: os palestinos. A parte antiga da cidade, conhecida como Jaffa, local em que fica o porto, é uma praia linda, com um mar azul-piscina, permeado por palmeiras imperiais. Da parte alta, pude ter uma das mais deslumbrantes vistas da cidade de Tel Aviv, banhada pelo azul do Mediterrâneo. Lá, onde quer que fôssemos víamos o contraste entre o azul do mar, cheio de piscinas naturais e as rochas/ areia.

Jerusalem

De Tel Aviv rumamos para Jerusalém, cercada por suas muralhas e trazendo consigo a força do povo que a habita. Muito impressionante também a chegada a Jerusalém; nós do grupo e o guia israelense fizemos um brinde, tendo a cidade ao fundo e lá pudemos percorrer os locais por onde Jesus passou, viveu e morreu. Também fomos para a Palestina e a cada vez que ultrapassávamos a fronteira, nosso guia, que era judeu, tinha que ficar ainda em território israelense para que pudéssemos adentrar na Palestina. Quando chegávamos à Palestina, outro guia, dessa vez palestino, passava a nos contar a história daqueles lugares. Vimos um sicômoro, árvore centenária, de tronco retorcido e grosso, parecida com a das estórias infantis, copa bem frondosa, réplica da árvore em que Zaqueu subiu para ver Jesus quando lá passou (emocionei-me também, recordando a passagem que trata do encontro de Jesus com Zaqueu, um cobrador de impostos que foi tocado e se converteu pelo poder do amor …comecei a cantar para mim mesma: “como Zaqueu, eu quero subir o mais alto que eu puder, só pra te ver, olhar para ti e chamar sua atenção para mim. Eu preciso de Ti, Senhor, eu preciso de Ti, oh Pai, sou pequena demais me dá tua paz…)e minha mente foi idealizando a cena entre Jesus e Zaqueu.

 

É assim, a viagem toda é repleta de muita emoção. As muralhas de Jericó, também na Palestina, os campos onde os pastores apascentavam suas ovelhas; a cidade de Belém onde pudemos visitar o lugar onde Jesus nasceu. Aí, foi erigida uma igreja, na qual havia uma estrela de aço indicando a exata localização da manjedoura em que o menino Deus foi posto. Ao chegar na estrela, prostrei-me em adoração a Jesus e um calor diferente aqueceu o meu coração.

Salomão

Foram muitos os lugares que me deixaram a sensação de paz e leveza na alma: na Gruta dos Pastores, ao ouvir a pregação do guia espiritual e o cântico do glória; no Monte Tabor, local da transfiguração de Jesus, com uma vista linda do alto para toda a cidade de Jerusalém; na Gruta da Anunciação, onde Maria recebeu a visita do Anjo Gabriel e a notícia de que seria a mãe do Salvador; em Caná, na Galileia, onde Jesus fez seu primeiro milagre, transformando água em vinho; no barco pelo Mar da Galileia, no Monte das Bem-Aventuranças, cercado por árvores, flores e muito verde; por fim, na tranquilidade das águas do Rio Jordão onde pude renovar as promessas do meu Batismo.

Batismo

Entre tantas emoções, a entrada no cenáculo onde o Espírito Santo desceu sobre Maria e os apóstolos ao som da música: “Eu navegarei, no oceano do Espírito” fizeram-me sentir como se Ele estivesse novamente descendo dos céus até a mim e me recordaram a minha mãe que dizia, quando viva, ser essa a música que mais a sensibilizava e a remetia à presença de Deus.

A leveza deu lugar à profundidade e ao pesar ao me deparar: 1) com a “via dolorosa”, caminho percorrido por Jesus, carregando a cruz, desvirtuada pela infinidade de tendas e vendedores que atravessavam o nosso caminho a oferecer produtos; 2) o local da crucificação de Jesus, com a cruz fincada, presente na 12ª Estação da Via Sacra; 3) a pedra onde o corpo de Jesus morto foi depositado; 4) o Santo Sepulcro. Esses lugares tornaram-me ciente da enormidade do sofrimento de Jesus que se doou por todos nós.

Pedra

Ao relatar essa viagem, não tenho a pretensão de fazer-lhes comungar dos meus ideais espirituais, mas não poderia jamais me furtar a compartilhar com vocês todo o sentimento que me arrebatou em cada momento dessa viagem e que trarei comigo onde quer que eu vá.

Pedra 2

Viajar é isso; encarar o novo, o diferente, o emocionante, o distante e torná-lo conhecido, próximo e ainda assim, deixar-se continuar sendo contagiado pelas mesmas emoções. É um desvendar sem fim. A cada percurso findo, outro já se afigura pronto para tomar forma e ganhar nossa atenção.

Vanessa2

Até breve em um outro encontro nos recônditos do universo das viagens, em um dos muitos pontos desse espaço geográfico rico e maravilhoso.

 

Vanessa Egypto fez esta viagem a Israel em Maio de 2014.

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